Fenômeno Digital


Não sou eu (nem minha mãe) que estou dizendo. É o povo do Brazilian International Press Award que achou que o conteúdo que eu e a Renata produzimos no Conexão Feminista é bom o suficiente para concorrer a um prêmio na categoria Fenômeno Digital (voto popular).

Fenômeno Digital!! Influenciadora? Pfff, que bobagem. Sou fenômeno. Ou melhor, concorrente a fenômeno.

Então queridos leitores, que eu desaponto com falta de posts dia após dia, já que vocês tem tempo de ler esse blog, cliquem aqui nesse link e votem em mim (tem outras categorias também). Eu juro que se eu me tornar um fenômeno premiado o sucesso não vai me subir a cabeça. Talvez suba. Ok, não prometo nada, mas vou mendigar voto mesmo assim.

VOTA VOTA VOTA (e vota de novo amanhã)

Kiliqueridos


Se viajar com amigos já é algo arriscado, imagina viajar com um grupo de mais de 20 desconhecidos? Passar perrengues, ter conversas escatológicas, fazer todas as refeições juntos... tem tudo pra dar errado! Mas, pra minha surpresa, deu certo.

Com a Pati, que me falou "eu amo Londres" na noite antes de começarmos a expedição, ainda no hotel. Daí pra frente, ladeira acima (literalmente e metaforicamente)

O Sérgio sentou ao nosso lado no jantar no hotel, no dia que todo mundo chegou e ninguém se conhecia. Há cerca de 5 anos ele foi diagnosticado com um linfoma, e decidiu que caso se recuperasse, iria pro Kilimanjaro. Check!
Não sei se em outro contexto esse grupo teria dado certo. Obviamente não jurei amizade eterna pra todo mundo - sempre tem gente com quem temos mais e menos afinidade - mas terminamos nossa expedição sem desentendimentos. 

Quando a expedição chegou ao fim, todo mundo foi pra casa. A Mari e o Paulo foram pro interior da Tanzania e construíram uma escola. Como não jurar amizade eterna? Mais dois integrantes da querida turma do fundão. Chegamos junto com eles no cume (e com a Fabi, mas não tenho foto dela!!), nunca vou esquecer. 
Alguns dos integrantes da expedição ja se conheciam de uma viagem anterior para o acampamento base do Everest, mas muitos de nós tivemos um dia apenas para decorar os nomes e trocar aquelas informações básicas (da onde você é? o que você faz? já fez alguma outra viagem desse tipo?). E aí, de refeição em refeição, de trekking em trekking, começam as conexões "especiais". A gente acaba sentando do lado das mesmas pessoas no almoço, no café e na janta. E nas paradinhas pra água ao longo dos muitos quilômetros rumo ao cume, quando nos damos conta estamos descansando junto a essas mesmas pessoas.

Eu adorei dividir essa experiência com cada um deles. Longas horas de papos profundos com alguns, diálogos mais curtinhos com outros, mas a vontade é de voltar no tempo e fazer exatamente a mesma viagem como exatamente o mesmo grupo.

Eu, Paulo, Mari e Pati. Muitos lanchinhos divididos nessas paradas

Mestrado


Pois é, eu vou fazer um mestrado. Que alívio que me dá falar isso, depois de um fim de 2016 e começo de 2017 meio chatinhos. Agora, com a decisão tomada (e, mais importante, com a vaga conquistada oficialmente), sinto que tenho controle da minha vida novamente (olha o drama!).

Mas vamos ao que importa. O nome do meu curso é Gênero, Mídia e Cultura (em inglês: Gender, Media and Culture). Eu estava procurando algum curso sobre história do Feminismo, e quanto mais eu colocava no Google, mais esse resultado aparecia. Nas primeiras buscas eu ignorei o resultado assim que vi o "MA" (abreviação em inglês que indica que o curso é um mestrado), mas toda palavra chave que eu colocava, resultava nele.

Até que resolvi entrar no site e dar uma olhada. E parecia perfeito pra mim. Não apenas as matérias, a essência e as possibilidades de tese, mas pra melhorar a universidade é bem perto da minha casa. Olhei os requisitos necessários, vi que não teria grandes burocracias para me candidatar e corri atrás dos documentos: diploma, referências, uma carta explicando a razão do meu interesse. Somei a esse material todas as colunas que já publiquei no Brasil Observer, os hangouts do Conexão Feminista e tudo mais que eu achei que poderia me ajudar.

Mandei tudo e precisei esperar. E essa espera foi horrível. Não sabia o que fazer: continuava procurando emprego? E se conseguisse um trabalho e também a vaga do mestrado? E se não conseguisse nenhum dos dois? Receberia o atestado de fracassada pelo correio (drama, parte 2)? Resolvi não falar pra muita gente, porque tinha medo de não ser aceita e depois ter que lidar com todo mundo perguntando "e o mestrado?".

Aí, finalmente, 3 meses depois, chegou a resposta. Mal tive tempo de comemorar, pois a oferta da vaga vinha com uma condição: fazer o IELTS, o exame de inglês sobre o qual já falei aqui. Por essa eu não esperava, e tentei argumentar com a universidade. Mandei meu certificado de Cambridge, mandei as matérias que escrevi em inglês quando estava trabalhando e tudo mais que me ajudaria a provar que sim, que eu tenho capacidade de fazer um mestrado em inglês. Mas não adiantou e lá fui eu fazer a prova. Como vocês já sabem, no fim deu tudo certo.

Então é isso. Estou aproveitando e muito meu verão inglês antes que as aulas comecem no fim de setembro. Ando com a agenda cheia: encontros, shows, meus compromissos com a LAWA, meus frilas, blog, Conexão Feminista e umas viagenzinhas a vista antes da vida acadêmica começar. Mas já estou tendo um gostinho de como vai ser, pois essa semana recebi email do coordenador do curso, solicitando uma dissertação e "recomendando" diversas leituras.

Ah, os livros. Vou sentir falta de ler o que eu quiser, quando eu quiser. Será um ano intenso. Já me dá saudades do limbo.

Leitura: Quando a Lua Canta para o Lobo (Uma Ópera Licantrópica), Bárbara Axt


Esse é um livro especial. Primeiro, porque foi escrito por uma amiga, a Bárbara. Segundo, porque foi o primeiro livro que li em formato digital. Não, não me tornei adepta ao Kindle ou afins, mas é que tive o privilégio de ser uma "beta reader". Isso quer dizer que a Bárbara me mandou o manuscrito, para que eu lesse e desse minha opinião. Legal, né?

Confesso que estava um pouco ansiosa: e o medo de não gostar de um livro escrito por uma amiga? Eu já sabia (e ela também) que esse não é o estilo de leitura que eu gosto (fantasia/sobrenatural), mas eu jamais deixaria passar uma oportunidade dessas.

E não é que eu gostei, e muito, da história? Li em questão de dois dias, coisa bem atípica pra mim. Eu ia lendo e mandando perguntas/comentários pra Bárbara, e fiquei super empolgada de acompanhar a produção. Afinal ela não só escreveu como também produziu e lançou de forma independente. Ou seja, o livro está sendo vendido diretamente pelo site dela, tanto em formato impresso como em ebook. Você pode comprar aqui e apoiar uma escritora!

O livro se passa em Londres, envolve estudantes de música e tem muuuitas curiosidades sobre a cidade. A Bárbara fez ums pesquisa detalhada sobre os lugares por onde os personagens passam e sobre acontecimentos verídicos em alguns desses lugares. E tem romance. Só que não é qualquer romance.

Enfim. Leiam. Comprem de presente, espalhem a notícia. O mundo precisa de mais livros de autores "desconhecidos", e ainda mais de mulheres. Vamos mostrar para livrarias e editoras o que estão perdendo em não apoiar novos talentos.

O zig zag da montanha


O avanço ao cume do Kilimanjaro é algo que registramos pouco em fotos e vídeos, mas é a parte da viagem que está gravada na memória com mais força. Uma das imagens mais fortes, que imediatamente me vem a cabeça quando começo a falar dessa noite/dia de escalada, é um zig zag de pontinhos iluminados montanha acima.

Eu explico: como saímos do acampamento base a meia noite, é preciso usar a lanterna de cabeça no percurso até a luz do dia dar as caras. A gente não vê nada, apenas aquele foco de luz saindo da nossa testa e iluminando os passos da pessoa que está na nossa frente. Ficamos de cabeça baixa o tempo todo, concentrados, em silêncio, apenas ouvindo nossa própria respiração - que custa a sair - e também a dos companheiros. Falamos apenas o necessário (como: preciso parar um pouco), com medo de que qualquer interrupção atrapalhe a caminhada que vai a passos muito lentos.

Em um desses momentos, meu pescoço começou a doer, afinal a gente fica olhando pra baixo. Resolvi dar uma esticada e olhei pra cima...

Lá estava, o zig zag de pontinhos iluminados. Eram pessoas que estavam mais avançadas do que a gente, bem mais pra cima, e suas lanternas demarcavam o desenho da trilha. Naquele momento eu não sabia se ria ou chorava: era algo bonito de se ver, mas me fazia pensar que eu tinha ainda aquilo tudo pra subir. E era uma parede, e não uma ladeira. Sabe quando você está parada no engarrafamento e só consegue ver a luz vermelha dos carros parados até perder de vista?

Nesse caso, a impressão que eu tinha é que a encosta do Kilimanjaro era totalmente vertical. Bateu um desespero, mas eu não conseguia parar de olhar. Era muito bonito. E havia um ponto onde as luzinhas das lanternas se misturavam as estrelas. Ali, com pouco oxigênio, meio desidratada, muito cansada e com muito frio, a gente dá umas alucinadas. Fixava meu olhar em um pontinho e não sabia se era uma estrela ou uma pessoa já quase chegando na cratera do Kilimanjaro, mais precisamente no Gilman's Point, a primeira parada do topo.

O consolo é que haviam pontinhos abaixo de nós também. Eu me pergunto se eles olhavam pra cima e sentiam a mesma coisa que eu senti naquele momento.

Já na cratera do Kili, chegando no Uhuru Peak, o ponto mais alto. Lá na frente está o Monte Mawenzi.



Mulheres incríveis e seus legados: um passeio guiado em Londres


Modéstia a parte, eu sou uma pessoa que vive tendo ideias. Tenho ideia para uns 50 guias de viagem, de produtos para vender, de palestras, de projetos pro blog. Mas da ideia para a prática, como muita gente sabe, a história é outra. Por isso, quando eu alcanço uma meta, como a publicação do meu guia em 2015, minha primeira meia maratona ano passado e o Kilimanjaro esse ano, eu falo e fala e falo sem parar sobre isso.

A ideia concretizada mais recente é o lançamento de um passeio guiado em Londres. Estava pensando nisso acho que há mais de um ano, e finalmente - depois de vários testes e muita pesquisa - anunciei três datas. Esse passeio une duas das coisas que mais amo, Londres e feminismo. Não é maravilhoso?

O passeio chama "Mulheres incríveis e seus legados". Tem 3 horas de duração, e feito todo a pé pelo centro de Londres (começa na estação de Green Park e termina na ponte de Westminster) e em 15 paradas a gente passa por monumentos, casas, museus e lugares icônicos para falar de muitas mulheres que fizeram muito pela humanidade.

O valor pessoa é de £14, que eu peço que sejam pagos antecipadamente. Todas as datas (até agora são 3: 20/7, 6/8 e 30/9) tem seu próprio evento na página do Facebook do Conexão Feminista, juntamente com o link para fazer o pagamento. Caso você não acesse o Facebook, fale comigo!

E quem não estiver em Londres em nenhuma das datas e quiser um tour privado, também dê um alô.

Links para mais informações e para comprar seu ingresso:

Dia 20/7: https://www.facebook.com/events/1595997217100236/
Dia 06/8: https://www.facebook.com/events/100601007248413/
Dia 30/9: https://www.facebook.com/events/249469345540454/

Dança comigo


Nos acampamentos abaixo de 4 mil metros (2 na subida, 1 na descida), rolava um ritual maravilhoso antes de sairmos para o trekking do dia e assim que chegávamos no acampamento: muita dança e cantoria, levada pela equipe de apoio. Eram 15 minutos sem parar, pulando muito, batendo palmas e - quando possível - tentando cantar a letra junto.

A energia do grupo era impressionante, e nos dava um ânimo absurdo para seguir caminho ou para fechar o dia. Eles cantavam várias músicas, emendavam uma na outra, mas a que a gente sabia de cor era a famosa "Kilimanjaro song":

Jambo, jambo Bwana (Olá, olá senhor!)
Habari gani (Como você está?)
Mzuri sana (Muito bem)
Wageni, mwakaribishwa (Visitantes, vocês são bem vindos)
Kilimanjaro, hakuna matata (Kilimanjaro, não há problema!)

Tembea pole pole, hakuna matata (Ande devagar, devagar, não ha problema)
Utafika salama, hakuna matata (Você vai chegar bem, não há problema)
Kunywa maji mengi, hakuna matata (Tome muita água, não há problema)

Você pode ver essa música a partir do minuto 9:03 no vídeo abaixo, mas garanto que o vídeo todo é emocionante (eu e o Martin aparecemos bastante, dançando muito. Eu estou de jaqueta roxa, faixa azul na cabeça e rabo de cavalo). Esse foi o dia após o cume, a manhã da despedida. Começamos o dia assim antes de andar 20km rumo a saída, e antes de entrarmos no ônibus rumo ao hotel ainda rolou isso de novo, já era fim da tarde.

Pelo que entendi, esse "ritual" acontece em quase todas as expedições, mas nem todo mundo gosta de participar. Muita gente prefere ouvir e ver, e segundo eles os latino americanos são sempre os mais empolgados, que dançam junto. Que bom que meus companheiros de viagem entravam na dança (literalmente) e todo mundo aproveitava ao máximo essa oportunidade única.




Anônimo, você tem toda razão


No post anterior eu escrevi que chegar no cume do Kilimanjaro foi a coisa mais difícil que já fiz nada. Aí uma pessoa (anônima, uma pena) deixou comentário falando que essa afirmação é muito #classemédiasofre. Afinal, no mesmo post eu falo da equipe de carregadores e guias. O anônimo até mandou eu lavar uma louça (anônimo, quem lava louça em casa é a máquina, sou classe média!).

Mas olha, sabem que o anônimo tem razão? Certamente há coisas mais difíceis na vida do que encarar minha expedição Nutella ao cume do Kilimanjaro. Por exemplo, arrecadar dinheiro para uma instituição que abriga mulheres vítimas de violência doméstica. Essa tarefa é muito mais difícil. Não tem uma equipe inteira pra me ajudar e muito menos desperta interesse dos meus leitores.

Mas quem sabe, você anônimo, acha isso mais bacana e vai me dar um apoio? Estamos muito longe de alcançar a meta de arredação, e seu dinheiro vai fazer a diferença. Você pode doar usando esse link: bit.ly/womenlawa

Obrigada e até o próximo grande desafio! Mas aviso: ainda vai ter muito post do Kilimanjaro aqui, prepare seu armamento pra me encher o saco!


Kilimanjaro


Conseguimos. Nós subimos até o cume do Kilimanjaro (5895 metros de altura).Chegamos lá precisamente às 8:30 da manhã do dia 21/6. Começamos a expedição dia 16/6 e o avanço para o cume às 0h do dia 21.

Foi a coisa mais incrível e mais difícil que já fiz na vida. E toda a expedição foi muito especial. O grupo (e quando digo grupo não quero dizer apenas quem estava lá na mesma situação que eu, mas também a equipe que estava trabalhando para a gente: carregadores, cozinheiros e guias) funcionou muito bem. Além das longas caminhadas diárias e falta de ar na medida que íamos subindo, tínhamos também muita cantoria, dança, conversa, comida boa e troca de experiências.

A gente vai pra subir o Kilimanjaro e acaba ganhando umas sessões de terapia na jornada. Valeu, Kili!






Hakuna Matata!


Meu primeiro post direto da Tanzânia, 2 dias antes de darmos início a nossa aventura no Kilimanjaro. Estamos em Arusha, a internet do hotel é ruinzinha, mas queria passar aqui e dar um oi pra falar que o blog provavelmente vai ficar sem postagens nessa semana e na próxima.

Agora que estamos aqui é que caiu a ficha do que estamos prestes a fazer, e confesso que está me batendo uma ansiedade. Por isso estou achando ótimo termos esses 2 dias de preparação. Hoje demos uma passeada rápida pelo centro da cidade, e amanhã vamos fazer um passeio no Arusha National Park, onde provavelmente veremos um pouco de vida selvagem (me prometeram flamingos!!!).

Deixo aqui a foto que postei no Instagram, mais clichê impossível, do por do sol pela janela do avião, umas 2 horas antes de pousarmos.

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IELTS


Poucas coisas são tão retrógradas quanto provas (não provas de crimes, de teste de inteligência mesmo, hahahahahaha), e eu achava que a essa altura do campeonato estava livre delas. Passar numa prova não significa que você realmente manje do assunto (eu por exemplo não sabia dirigir quando passei no exame da carteir de motorista, e passei em muitas provas de química e física na escola porque escrevia a fórmula na sola do meu tênis), mas infelizmente acho que estamos longe de inventar um sistema de educação que seja mais inclusivo. Mas enfim, esse não é um post político, é um post sobre uma maldita prova de inglês que precisei fazer há algumas semanas, o IELTS.

Eu me candidatei para uma vaga em um mestrado (mais sobre isso em breve) e a universidade exige uma comprovação de que você sabe se comunicar em inglês (caso inglês não seja seu primeiro idioma, óbvio). Eu até tirei aqueles certificados de Cambridge pentelhos quando estudei na Cultura Inglesa, mas olha só, não me serviram pra nada. A universidade não aceitou, já que precisava que a comprovação tivesse no máximo 2 anos. Tentei argumentar, afinal trabalhei como editora de um site (escrevendo e editando em inglês) por 6 anos, mas não adiantou.

Tive que colocar o rabo entre as pernas e me inscrever para fazer o IELTS. E o pior: pagar as £160 de inscrição. Foi tudo meio em cima da hora, pois eu queria matar essa pane antes de viajar. Tive 2 semanas para me preparar, fazer uns simulados e entender as "manhas" da prova, que é dividida em 4 partes: reading, writing, listening e speaking.

A universidade exigia que eu tirasse uma média de 6.5 (a nota máxima do IELTS é 9), sendo que tinha que ser no mínimo 6 em reading, listening e speaking e 6.5 em writing. Ou seja, não adiantaria obter uma média 7 se meu writing fosse 5.5, por exemplo.

Bom, lá se foi um sábado perdido fazendo essa prova pentelha. Eu achei tudo relativamente fácil, menos a categoria que eu precisava da nota mais alta, o writing. Eles dão apenas uma hora para você fazer duas redações (escritas a mão), com temas chatíssimos. Há um número mínimo de palavras para cada uma das redações, e você tem que ter certeza de que o examinador vai entender sua letra. Então entre escrever (e usar as palavrinhas que garantem pontos, como "however", "therefore", "despite", "moreover", "first of all" e por aí vai), apagar e reescrever os garranchos e contar as palavras, mal dá tempo de bolar um texto decente.

Mas o resultado chegou e eu passei! Fui muito bem aliás. tive uma média de 8,  e no reading tirei a nota máxima, 9. No speaking e no listening tirei 8.5 (uma pena que não falam o que eu errei, pois eu achava que tinha tirado a nota máxima no listening também), mas no writing passei raspando: 6.5, exatamente o que a universidade pediu.

Mas enfim, mais um perrengue resolvido. 160 libras para provar que meu inglês é bom o suficiente pra eu voltar a estudar.

Engano seu


Nas últimas semanas, por coincidência, algumas pessoas vieram me falar que gostam muito desse blog aqui e que eu não deveria parar de escrever. Mas elas falaram como seu eu tivesse anunciado o fim do blog ou como se eu não publicasse nada há meses.

Gente, alô? O blog tá aqui, vocês é que não acessam o suficiente!

Leitura: The Mystic Masseur, VS Naipaul


Comprei esse livro há pelos menos 4 anos, e acho que ter esperado tanto para ler deveria ter fincionado como um sinal: se não leu até agora, deve ter uma razão!

Achei um saco. Resolvi ler inteiro porque é curto e tambem porque eu tinha a esperança de que fosse ficar mais interessante (afinal, o cara é Nobel né?), mas não.

Talvez eu devesse ter escolhido outro livro dele pra começar (senão me engano esse foi o primeiro que ele publicou), talvez a história seja muito mais engraçada se você conhece melhor o autor, ou se você é de Trinidad, sei lá.

Terminei de ler no metrô e deixei lá mesmo, pra alguém pegar e quem sabe apreciar mais do que eu.

Spectacles


Já não é novidade que eu adoro o Snapchat e provavelmente serei a última a sair de lá. Adoro a interação da rede e as pessoas que conheci por lá. E agora tenho mais uma razão para continuar me divertindo: tenho o Spectacles.

O Spectacles é um óculos de sol com uma câmera embutida, pra fazer snaps! Ele está a venda apenas nos Estados Unidos e já foi lançado há uns meses (mas claro que tem vários disponíveis no Ebay), mas o Martin esteve em Chicago semana passada e trouxe um pra mim.

O mais legal é que (eu acho) os óculos bem bonitos. Nada daquela coisa cafona do Google Glass. Você pode realmente usá-los como óculos de sol. Claro que é um tantinho mais pesado por causa da câmera e da bateria, mas ainda assim, nada que faça muita diferença no dia a dia.

Eu testei meus Spectacles quando fui correr, e deu super certo. E isso é ótimo, pois é impossível fazer Snapchat com o celulae enquanto você corre, mas com os óculos é bem tranquilo - só apertar o botão no aro e pronto, ele começa a filmar os 10 segundos. Outras pessoas que eu sigo no Snap e também tem os Spectacles já usaram eles pra andar de bicicleta, dirigir, fazer stand up paddle e andar de caiaque.

Tenho certeza de que jajá o dono do mundo Facebook aparece com algo do tipo...

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A Little Respect


Ontem foi mais uma vez no show do Erasure, e como da primeira vez (acho que há dois anos), foi na Roundhouse, no bairro de Camden. A Roundhouse é linda, pequena, e dá aquela impressão de show intimista, "só para os amigos".

Como da primeira vez, foi ótimo. Eles tocam todas aquelas músicas que embalaram minha adolescência, e eu acho maravilhoso quando vou em um show e tem gente ou da minha idade ou mais velha do que eu. Sinto que estou no lugar certo!

Mas enfim, apesar do show ter sido maravilhoso, o melhor aconteceu na hora de ir embora. Estávamos a caminho da saída quando alguém começa a puxar "A Little Respect", e o resultado foi esse (eu tive que baixar os videozinhos que subi no Snapchat na hora, por isso que está assim esquisito, mas dá pra ter uma ideia!):



De arrepiar!

Voluntariado x Doação


Desde que eu comecei a trabalhar como voluntária na LAWA, recebi emails e mensagens pelas redes sociais de pessoas interessadas em saber como poderiam ajudar ou se eu teria alguma dica para quem busca esse tipo de trabalho.

Então vamos por partes. Pra quem quer fazer trabalho voluntário, e tem uma causa do coração, eu aconselho a dar uma olhada no Charity Job. Basta filtrar sua busca por setor e pronto, você verá algumas oportunidades. Mas nem todas as instituições anunciam lá, então o ideal é buscar da maneira tradicional: Google e Facebook. A maioria tem site e página nas redes sociais, e aí você encontra mais informações sobre possíveis vagas de voluntariado.


Eu não estava planejando fazer esse tipo de trabalho, até que uma amiga me falou sobre a instituição. Então simplesmente mandei um email e me chamaram. Algumas ONGs tem processos de seleção de voluntários mais rigorosos, outras são mais abertas a qualquer tipo de ajuda. Algumas pedem comprometimento mínimo de tantas horas semanais, outras te dão um projeto específico para fazer. Realmente depende do tamanho da instituição e do tipo de serviço prestado.

Eu entendo que muita gente queira fazer trabalho voluntário pra ter a sensação de que realmente está contribuindo. Pra saber o que é feito, como é feito, e qual o resultado. Mas as vezes, e serei bem honesta com vocês, as instituições precisam mais de dinheiro do que voluntários. Manter um voluntário tem um custo. Não necessariamente financeiro (mas algumas ONGs pagam transporte e/ou alimentação), mas de tempo. O voluntário recebe treino como qualquer outro funcionário em qualquer tipo de trabalho. O problema é que muita gente não dura na vaga, e acaba indo embora depois de alguns meses. Ou seja, todo o tempo do recrutador que poderia ser usado de forma mais eficiente (isso porque raramente em uma instituição sem fins lucrativos - principalmente nas pequenas - uma pessoa faz apenas uma coisa específica) é gasto procurando e treinando gente nova de tempos em tempos. Então, se você está afim de voluntariar, pense muito nisso antes de se comprometer. Avise o recrutador se você estiver procurando emprego e precisar deixar a vaga assim que arrumar um. Ou fale que você só está disponível por três meses. Abra o jogo desde o começo, e se pegar um projeto, fique até o final.


Mas voltando a questão do dinheiro. Tem muita gente que faz doação mas não acha que é o suficiente. Acredite: é sim. Se você acha que no seu trabalho "normal" nunca tem orçamento disponível pra nada, você não tem ideia de como é a situação financeira de uma ONG. Todas as moedas são contadas, e se algum financiamento é cortado, os programas sociais são eliminados de uma hora pra outra. Isso significa funcionários da ONG perdendo emprego e pessoas que usam os serviços ficando desamparadas do dia pra noite.

Lá na LAWA, por exemplo, todo ano elas precisam aplicar para o subsídio do escritório. E elas nunca sabem se vão conseguir. Se por acaso esse subsídio for retirado, não terão pra onde ir. E todo mês rolam batalhas e mais batalhas com subprefeituras para manter o financiamento do abrigo. O governo continua cortando o orçamento para esse tipo de serviço, mas violência doméstica não é "cortada" na mesma proporção, muito pelo contrário. Como a LAW tem ganhado espaço na mídia, muito mais mulheres tem nos procurado. E muitas não podem ser atendidas porque simplesmente não temos dinheiro.


Então pode ter certeza de que quando você doa seu dinheiro, ele será muito bem utilizado.

E pra quem gostaria de doar para a LAWA, estamos mais uma vez fazendo financiamento coletivo. A boa notícia é que conseguimos o apoio de uma empresa que vai dobrar tudo que for doado, até conseguirmos £10,000. Ou seja, se juntarmos essa grana, teremos 20 mil libras. Você pode doar 8 libras (cerca de 32 reais) aqui.






#EverestNoFilter


O Snapchat é mesmo uma imensa ponte. Por causa dele, nós podemos acompanhar os montanhistas Adrian Ballinger e Cory Richards em sua subida no Monte Everest, sem oxigênio suplementar (ambos já chegaram ao topo outras vezes). Sim, eles estão lá nesse momento (há muitas semanas), e estão transmitindo tudo pelo aplicativo.

Nas próximas 48 horas eles devem chegar no topo, e as expectativas são grandes para os seguidores do Snapchat! Há todo um suporte tecnológico envolvido, que até agora funcionou muito bem. É maravilhoso poder seguir a jornada deles e ver um pouco desse lugar que muito provavelmente eu nunca vou conhecer.

Pra quem não tem Snap, eu aconselho instalar ainda hoje só pra acompanhá-los (o perfil é EverestNoFilter). E alguns dos snaps estão indo parar no YouTube:



Dreams


Ontem tiquei mais um show da minha lista de "bandas dos anos 80 e 90 que eu amo", fui ver The Cranberries! Pois é, eles ainda existem e fazem um show maravilhoso. A voz da Dolores é muito icônica, e mesmo que a princípio o nome dessa banda não te traga nenhuma lembrança, tenho certeza de que pelo menos uma das músicas deles marcou a sua adolescência (se você tem mais ou menos a mesma idade que eu).





O show foi no Palladium, um tanto quanto atípico (é mais conhecido pelas peças de teatro), mas lembrei que os Beatles também já tocaram lá! Além da banda, tinha também um quarteto de cordas, o que deixou tudo ainda melhor.

Nada como música ao vivo pra mexer com as nossas emoções né? Eu tenho vontade de chorar toda vez que escuto Dreams, e ter a oportunidade de ter visto ela ser cantada ao vivo e a cores é realmente um super privilégio.



A Marina, que foi comigo, postou alguns videozinhos no instagram dela, que vou deixar aqui. Eu cheguei a fazer um live no Instagram por alguns minutos, mas quem não vou, já era!

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Próximo show: Erasure, o retorno!

Leitura: Infidel, Ayaan Hirsi Ali


Esse livro, uma autobiografia, me foi recomendado por algumas mulheres toda vez que eu postava algum livro sobre feminismo no Instagram. Não é exatamente um livro feminista, mas é a história de uma mulher que lutou contra opressão.


Ayaan Hirsi Ali nasceu na Somália, e tem uma história de vida admirável. Mudou-se diversas vezes com a família (em decorrência da instabilidade política da Somália e o fato de seu pai ser um dos líderes de um grupo de oposição). Viveu na Arábia Saudita, Etiopia e Quênia. Sofreu mutilação genital, espancamentos e restrições impostas por tradições anacrônicas tanto da sua religião quanto da sua família. Teve uma relação de "amor e ódio" com a religião durante a adolescência, e ao mesmo tempo que obedecia regras, não entendia a razão delas existirem. Questionava-se o tempo inteiro.

Foi forçada a se casar com um homem que não conhecia (e, quando conheceu, não gostou) e finalmente conseguiu escapar de todas essas prisões, obtendo asilo na Holanda, onde muitos anos depois tornou-se membro do parlamento. Produziu um curta metragem com o cineasta Theo van Gogh (procure no Google, não vou escrever aqui o nome nem sobre o que se trata porque não quero ninguém buscando razões para incitar o ódio religioso aqui no meu blog), e por causa desse filme ele foi assassinado. Ela foi ameaçada e viveu por muito tempo escondida e sob proteção da polícia.

Bom, essa é a história muito, mas MUITO resumida. Como eu falei lá em cima, é realmente admirável a luta dela e sua coragem em aproveitar a oportunidade para conseguir tomar as rédeas da própria vida.

Mas tem algumas coisas que me incomodaram nesse livro. A primeira é o fato de que ela em nenhum momento, nem mesmo no final, reconhece que não enxergava que todos os horrores que ela sofreu nas mãos da mãe foram em decorrência do descaso do pai. O pai abandonou a família (mais de uma vez) e as deixou na beira da miséria, fazendo com que mãe dependesse de favores de amigos e familiares por muito tempo. Criou todos os filhos sozinha sem ter nenhum direcionamento, sem nenhuma perspectiva de melhoria de vida.

Já o pai é visto como herói. Quando volta pra casa depois de anos de abandono, é celebrado por ela, que não demonstra um pingo de consideração pela mãe, amargurada e com sérios problemas mentais. Até mesmo depois de romper com ele, ela não dedica nenhum espaço no livro para refletir sobre como a ausência dele influenciou na vida miserável da mãe e, consequentemente, na dela.

Outra coisa que me incomodou é sua visão política. Óbvio que ela tem o mérito por tudo que conseguiu, mas o fato de ela ter tido a força e a coragem para romper com sua família, com sua tradições e, acima de tudo, com a sua religião, não significa que ela tenha uma receita pronta para todas as outras mulheres muçulmanas. Pra mim, a generalização é um erro. E um perigo: eu achei que o discurso dela em relação a segregação religiosa e cultural e também em relação a política de benefícios e salário mínimo para imigrantes/refugiados é o tipo de coisa que faz uma pessoa como Donald Trump sorrir de orelha a orelha.

Em tempo: eu GOSTEI do livro. Achei ela uma mulher sensacional, e é maravilhoso saber que a história dela serviu de inspiração para outras mulheres na mesma situação de opressão. O que não bate comigo são os ideais e a generalização. Mas ó, recomendo que você leia para tirar suas próprias conclusões.

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Rumo ao Kili


Daqui a um mês, dia 16 de junho, daremos início a caminhada/escalada que nos levará ao topo do Kilimanjaro, a montanha "free standing" mais alta do mundo (antes que você proteste, eu explico: o Kili não está em uma cordilheira como o Everest. Por isso a expressão "free standing", que acho que não tem tradução para português), com 5895 metros.

A viagem em si começa alguns dias antes, mas é no 16 mesmo que as férias tomam forma de aventura. Eu queria fazer essa viagem há muito tempo, e finalmente está chegando a hora. Estamos pagando caro pra ficar 7 dias sem tomar banho, dormir em barraca, passar frio, ficar sem ar e provavelmente levar o corpo a exaustão. Legal né? ; )

Não sei explicar exatamente o que me atrai a essa aventura. Por causa dela nós não teremos férias naquele estilo clássico, como foi a Sicília ano passado, por exemplo (ai que dó que vocês estão d emim hein?). E ainda assim, não estou mega ansiosa. Estou tranquila, curtindo essa preparação que já vai preparando nossa cabeça para encarar o que teremos pela frente. Desde o começo do ano a gente tem ido fim de semana sim e outro também em lojas de equipamentos especializados. É tanta coisa comprada que eu prefiro nem somar.

No Aprendiz de Viajante eu escrevi dois posts com mais detalhes dessa preparação (que você pode ler aqui e aqui). E durante a viagem eu pretendo escrever um diário, assim não esqueço de detalhes e - mais importante - das minhas impressões em relação as outras pessoas que farão parte da nossa expedição (já temos até grupo no Whatsapp). Acho que será a primeira vez que farei isso desde a nossa viagem para Nova York em 2005 (eu transcrevi tudo aqui no blog, se você tiver curiosidade e paciência pode buscar os arquivos, acho que fiz em janeiro de 2006).

O engraçado é que tenho ainda tanta coisa na agenda antes de embarcar pra Amsterdã (vamos passar uma noite lá, pois não tem vôo direto de Londres) dia 12 de junho. Tenho diversos encontros com amigas, tenho palestras, tenho até prova de inglês (conto sobre isso mais pra frente). O Martin vai passar uma semana em Chicago a trabalho, eu tenho frilas para entregar, hangouts para fazer, visita para receber por alguns dias.

Tô achando é que o Kilimanjaro vai ser descanso depois dessa loucura de compromissos!